Compartilhe a Fortus Group
Share on Facebook
Facebook
Tweet about this on Twitter
Twitter
Share on LinkedIn
Linkedin
Email this to someone
email

[dropcap size=big]A[/dropcap]no de eleições gerais no País, como ocorre neste 2018 no Brasil, por si só já é um fato que mexe com as pessoas. E, quando estamos passando por uma crise, tanto política quanto financeira, o cenário fica ainda mais indefinido, pois a incerteza de que tipo de presidente teremos, faz com que o povo sinta-se um tanto inseguro com relação aos rumos da Nação. E da mesma forma se comporta a economia, visto que o tipo de política econômica a ser implementada no Brasil acaba por ser uma incógnita para o empresariado, o que o leva, muitas vezes, a segurar investimentos e a ter muita cautela em que negócio colocará seu capital. Assim, o cientista político da FGV do Rio de Janeiro (Fundação Getúlio Vargas), Leonardo Paz Neves, traz, a seguir, uma visão mais clara do que representa a influência de um processo eleitoral em nossa economia.

Cientista político da FGV do Rio de Janeiro (Fundação Getúlio Vargas), Leonardo Paz Neves

De que forma uma eleição presidencial, como ocorrerá este ano no Brasil, pode influenciar na economia de nosso País?

A primeira maneira é na expectativa, pois, por mais que possa parecer secundária, ela é importante. E isso ficou muito claro no primeiro momento do segundo mandato da ex-presidente Dilma. O Brasil ainda não estava numa crise tão grande quanto está agora, entretanto os números na economia eram ruins. Assim, foi possível identificar que boa parte do empresariado via a presidente com muita desconfiança. As políticas que ela havia feito em diversos ramos, principalmente no energético, vieram a atrapalhar bastante o setor, o que acabou fazendo com que o investimento das empresas ficasse cada vez mais represado. Ou seja, as empresas não confiavam no governo e seguravam os investimentos. Isso, pelo fato de não saberem que outras medidas seriam tomadas no momento seguinte. Desta forma, a expectativa de um mau governo represou os investimentos na economia, o que foi muito ruim.

Já a outra maneira, é basicamente a própria política que um determinado governo diz que fará e, de fato, começa a implementar. O governo do Temer, por exemplo, mesmo com todos os problemas que tem, fala mais a língua do mercado. O presidente manteve, de certa maneira, o programa dele: de fazer uma série de reformas, de implantar o teto de gastos públicos, entre outras medidas, o que melhorou a expectativa do empresariado. Além disso, concorde ou discorde da Reforma Trabalhista, é uma iniciativa que os empresários de maneira geral veem com bons olhos. Logo, o programa de governo de um presidente tende a alavancar bastante uma economia ser for sério. Assim, eu elencaria basicamente essas duas maneiras, e, por mais que a expectativa seja secundária, tem um importante papel, pois é ela que impacta a curtíssimo prazo.

“Se o resultado da eleição apontar para um presidente que o mercado identifica como alguém que vai buscar a facilitação nas negociações, que cumpre acordos, fazendo um trabalho sério, sem intervir muito na política econômica que será adotada, a economia como um todo já começará a melhorar.”

Se o resultado da eleição apontar para um presidente que o mercado identifica como alguém que vai buscar a facilitação nas negociações, que tem fama de cumprir acordos, que tenta tirar obstáculos das empresas, que simplifique a questão fiscal, trabalhista, previdenciária, entre outras, fazendo um trabalho sério, sem intervir muito na política econômica que será adotada, a economia como um todo já começará a melhorar. Então, no médio e no longo prazo, ou seja, durante o mandato dele, o que vai realmente fazer a diferença é o programa que irá implementar e, naturalmente, a equipe que estará perto dele e que vai conseguir implantar esses projetos todos.

Na sua opinião, que tipo de candidato à presidência seria melhor para o Brasil?

Independentemente de ser de direita ou de esquerda, o melhor para o Brasil vai depender do programa econômico que o candidato apresentará. Em linhas gerais em nosso País, indivíduos que estão mais alinhados ao centro direita, normalmente têm uma agenda pró-mercado. Aqueles que estão no centro à esquerda, valorizam um papel maior do Estado na economia, o que, para muita gente, é parte da culpa dessa crise vivemos.

Um excesso da ação do último governo da Dilma, por exemplo, de regular a economia acabou gerando sérios impactos em diversos setores, de maneira que a crise se instalou. Então, eu acredito que o mercado ficaria mais satisfeito com um presidente mais alinhado à direita, no máximo até o centro. Ou seja, a união de uma agenda pró-mercado, pelo lado da direita, com uma estabilidade maior, vinda do centro.

Porém, se vierem indivíduos com uma visão bem mais liberal, de maneira geral vão querer desregular bastante a sociedade e reduzir o papel do Estado na economia, o que seria bom para às empresas, que acham que funciona bem para elas. Agora, se vier alguém de centro esquerda, que não tenha tanto estofo político ou um partido forte por trás que ajude a implementar qualquer tipo de agenda, o mercado ficaria mais inseguro.

E ainda, se vier alguém mais para à esquerda, o mercado vai acabar criando uma expectativa de que políticas do Partido dos Trabalhadores ou alinhadas com o que o PT fez voltariam, podendo, o clima, ser de mais preocupação. Isso, por que não saberiam que tipo de programa econômico seria implementado. Na ideia do empresariado, se chega a ganhar um candidato à esquerda, a crença é de que essa pessoa desfaria as Reformas feitas pelo governo Temer, como a do Teto de Gastos Públicos e a Trabalhista, por exemplo, gerando, desta forma bastante apreensão.

A incerteza de quem serão os candidatos à presidência do País traz prejuízos para a economia?

O problema da incerteza é que ela gera instabilidade, e instabilidade e incerteza são péssimas para o mercado econômico. De maneira geral, o mercado quer estabilidade porque ele pede previsibilidade. Ninguém investe seu dinheiro num ambiente em que não se sabe se amanhã a regra mudará ou não. E isso é ruim para a economia, pois impacta muito nas grandes empresas, em investimentos internacionais que vêm para o País, sendo um cenário bem complicado esse para a economia, do ponto de vista da expectativa.

Quando se tiver mais clareza de quem serão os candidatos e eles apresentarem suas plataformas, essa instabilidade tende a se reduzir, ainda que se tenha uma preocupação muito grande de quem vai ganhar. Só aí teremos uma noção mais clara de quem vai fazer o que e em que circunstância. Porém, estabilidade só vai se ter quando realmente for escolhido o próximo presidente, e se não tivermos uma convulsão social devido a resultado das urnas.