UM BRASIL QUE MESMO RESPIRANDO COM APARELHOS TEM UM DIAGNÓSTICO A SEU FAVOR

Finalmente chegou o tão esperado 2018, ano de muitas expectativas de um Brasil melhor com o início, ainda que muito pequeno, de uma reação em nossa economia. As projeções e estimativas são grandes, pois teremos eleições no segundo semestre, com a escolha de um novo presidente para o País, além de deputados federais, estaduais, senadores e governadores. E são os eleitos nesse pleito que promoverão a implementação de medidas que poderão alavancar a recuperação da economia brasileira ou também retardá-la, pois tudo dependerá do tipo de política econômica a ser adotada para daqui pra frente em nosso País. A seguir, o economista Miguel José Ribeiro de Oliveira, vice-presidente da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) nos traz um panorama mais amplo sobre o assunto.

– Quais as perspectivas para a economia brasileira neste 2018?

Após um período consecutivo de três anos de recessão econômica, minha expectativa é que 2018 tenha um crescimento um pouco maior. No último trimestre de 2017, posso dizer que mesmo de uma maneira muito tímida, já apresentamos uma pequena recuperação econômica, o que é considerado positivo num cenário de estagnação o qual convivemos até então.

Porém, naturalmente temos muitas dúvidas em relação ao ano que estamos vivendo, principalmente com relação à questão política, pois não sabemos quem será o próximo presidente, o que pode trazer algum impacto na economia. Mas, a princípio, se não tivermos nenhum vendaval político pela frente, a estimativa é de crescimento, mesmo que ainda baixo, entre 1 e 1,5% do PIB.

A princípio, se não tivermos nenhum vendaval político pela frente, a estimativa é de crescimento, mesmo que ainda baixo, entre 1 e 1,5% do PIB, neste ano.

É importante destacar que este será um ano melhor do que o anterior, mas não se pode sair comemorando, pois nesses três anos de recessão, nossa economia perdeu mais de 10% do seu valor. Assim, precisaremos ainda de mais dois ou três anos para nos recuperarmos. Logo, é essencial ressaltar que 2019 será o primeiro ano do novo governo do País, e como normalmente ocorre, é um período de dúvidas. Isso, pelo fato de não sabermos quais mudanças serão implementadas, que medidas serão aprovadas ou não, de como será equacionada a questão fiscal brasileira que, com seu desequilíbrio, faz a dívida pública crescer cada dia mais, o valor do dólar, entre outros itens que causam preocupações.

Assim, é mais do que necessário que o governo comece a olhar de fato a questão fiscal com preocupação, aprovando medidas para conter os gastos públicos, de forma com que estas determinações possam trazer um crescimento duradouro para a economia brasileira. Sem essas reformas estruturais ficaremos sempre nesta gangorra econômica: um ano vamos bem e no outro caímos, e assim por diante. Desta forma, espera-se uma melhora maior da economia a partir de 2020, com percentuais de 2 a 2,5% do PIB ao ano. Mas, ainda assim, temos que considerar que esse crescimento será gradual, se consolidando aos poucos e atingindo patamares mais altos nos períodos posteriores.

– A realização das eleições no segundo semestre do ano, onde iremos escolher novo presidente para o País, afetará a economia de alguma forma?

Sim, sem dúvida nenhuma, pois não sabemos quem são as pessoas que irão governar o Brasil e o que pensam em termos de medidas a serem implantadas para nossa economia. Naturalmente, o País precisa de reformas, bem como o Estado precisa gastar menos, além de urgentemente termos que interromper o crescimento da dívida pública. Ou seja, tudo na economia brasileira vai depender de quem será o comandante máximo do País e de quais serão suas medidas econômicas. Se tivermos alguém à frente do Brasil a favor de certas reformas e medidas para conter o gasto público, poderemos crescer.

– Qual área da economia deve se recuperar mais rapidamente?

O consumo deverá alavancar essa recuperação, pois ele proporciona uma resposta rápida. E no momento em que a economia volta a crescer, mesmo que gradualmente, as pessoas também voltam a consumir, de forma moderada, é claro.  Porém, o processo de recuperação de nossa economia não será a curto prazo. O desemprego ainda está altíssimo, temos mais de 13 milhões de pessoas sem trabalho, bem como as indústrias brasileiras apresentam grande ociosidade em seus processos de produção. Isso significa que antes de os empresários voltarem a contratar, eles resolverão esse problema de ociosidade de produção para, após, iniciar a admissão de novos funcionários. Mas, tenho dito que o pior já passou, pois temos verificado que as empresas, pelo menos, pararam de demitir.

Teremos uma melhora gradativa na questão do desemprego, principalmente a partir do segundo semestre de 2018. Mas, a redução mais intensa desse quadro será, realmente, do próximo ano em diante.

– Qual sua expectativa com relação a uma diminuição significativa do desemprego?

De forma mais substancial, acredito que essa diminuição ocorra somente em 2019, com a nova composição política do Brasil. Isso, se o candidato eleito for pró mercado, ou seja, a favor de reformas, por exemplo. Primeiramente, as empresas vão repor sua capacidade ociosa, pois têm companhias trabalhando com 50% de seu potencial produtivo, para depois iniciar novas contratações. Isto é, por enquanto vamos continuar com patamares altos de desemprego, diminuindo muito pouco, de 13 para 12 milhões ou 11 milhões e meio de pessoas sem trabalho. Desta forma, teremos uma melhora gradativa na questão do desemprego, principalmente a partir do segundo semestre de 2018. Mas, a redução mais intensa desse quadro será, realmente, do próximo ano em diante.

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